domingo, 8 de março de 2009

A IMPORTÂNCIA DO AMONÍACO COMO MATÉRIA-PRIMA


O amoníaco, também chamado hidreto de azoto, de fórmula química NH3 é uma substancia composta por hidrogénio e azoto.

Este composto tem como características:
-à temperatura ambiente e pressão normal é uma gás tóxico, incolor e inflamável, tendo um cheiro característico picante e intenso
-à pressão normal o seu ponto de fusão é de -78ºC e o seu ponto de ebulição é de -33ºC
-é solúvel em água.




A sua molécula não é plana, apresenta uma geometria piramidal, em que um átomo de carbono está ligado a três de hidrogénio. Esta geometria ocorre devido à formação de orbitais híbridos sp³.
Em solução aquosa este composto comporta-se como uma base transformando-se num ião amónio, NH4+, com um átomo de hidrogénio em cada vértice do tetraedro.
A produção de amoníaco é conseguida pela combinação directa de hidrogénio e azoto, por um catalisador de ferro ou alumínio. O hidrogénio é obtido pela decomposição do metano por aquecimento. O azoto é obtido a partir da destilação de ar líquido. Foi o primeiro processo químico a usar condições de alta pressão.



Em 1928, o químico William Ramsey previu que com o crescimento da população mundial a fome iria constituir um grande problema. Isto devido á ausência de novas fontes de azoto biologicamente utilizável (também amoníaco).

No final do século XIX os químicos procuraram encontrar uma maneira económica de converter o azoto atmosférico em compostos azotados que pudessem ser usados como fertilizantes agrícolas embora a baixa reactividade do azoto parecesse um obstáculo intransponível.

Até que, em 1909, o químico alemão Fritz Haber descobriu um processo de produção de amoníaco que veio revolucionar o desenvolvimento da indústria de fertilizantes :
N2 (g) + 3 H2 (g) → 2 NHз (g)
Podemos considerar esta reacção muito lenta.



Haber estudou as temperaturas e pressões necessárias para combinar os dois gases. Sendo que, esta situação requeria condições difíceis de alcançar:
Pressão = 200 Atm.
Temperatura = 457 º C

Para isso foi necessário um catalisador onde se misturou óxido de potássio, ferro e óxido de alumínio. Estava assim aberto o caminho à produção de adubos por Haber; o que levou a um aumento da produção agrícola a nível mundial. Mas, nem todas as consequências desta nova produção foram benéficas: provocou também a guerra química – possibilitou a produção dos gases asfixiantes durante a primeira Guerra Mundial.

Assim temos:
QUÍMICA - Geradora de:
-bens de consumo
-substâncias tóxicas e nocivas
para a saúde e ambiente



Fritz Haber (1868 – 1934)



Este é um processo industrial para a produção de amoníaco por reacção de azoto com hidrogénio. A reacção é reversível e exotérmica, de forma que a formação de uma grande quantidade de amoníaco é favorecida por temperaturas baixas.
No entanto, a velocidade da reacção seria demasiado baixa para que se alcançasse o equilíbrio a temperaturas normais.Este processo é muito importante para a fixação de azoto para fertilizantes.


Foi o engenheiro químico Carl Bosh quem realizou pela primeira vez, a síntese do amoníaco a nível industrial ao utilizar o processo acima referido – de Haber.



Carl Bosch (1874 – 1940)

Este processo envolve equipamento resistente para desenvolver métodos químicos a altas pressões, daí a designação alternativa de processo de Haber-Bosch.
Neste processo a matéria-prima (gás de síntese) é obtida por vaporização de gás natural reciclado.




O Ácido Nítrico era bastante útil para produzir munições.



Para se conseguir um processo satisfatório de Haber é necessário reunir determinadas condições de equilíbrio.


1.Temperatura (para um rendimento apreciável, ainda que baixo)
A formação do amoníaco é um processo exotérmico, ou seja, ocorre com libertação de calor. Sendo assim, baixas temperaturas favorecem a produção do NH3 e o incremento da temperatura tende a deslocar o equilíbrio da reacção no sentido inverso, de acordo com o Princípio de Le Chatelier. Por outro lado, a redução da temperatura diminui a velocidade da reacção, portanto, uma temperatura intermédia é a ideal para favorecer o processo. Experiências demonstraram que a temperatura é de 457ºC.


Esquema do aparelho de Haber e Le Roussignol para a síntese do amoníaco a 200 Atm. A partir de hidrogénio e azoto na proporção 1:3.


2. Pressão
A elevação da pressão favorece a formação do amoníaco pois no processo ocorre uma diminuição de volume ( devido a diminuição do número de moléculas ). Logo, o incremento da pressão aumenta o rendimento de formação do produto, mas por outro lado este incremento deve ser economicamente viável, ou seja, não deve tornar os custos de produção demasiado elevados. A pressão considerada tecnicamente e economicamente viável é de 200 atmosferas.

3. Presença de um catalisador
O catalisador não afecta o equilíbrio porém, acelera a velocidade da reacção para atingir o equilíbrio. A adição de um catalisador permite que o processo se desenvolva favoravelmente em temperaturas mais baixas.

Actualmente utiliza-se como catalizador o ferro (no passado utilizavam-se ósmio e urânio).
As matérias-primas envolvidas na produção de amoníaco:
Azoto ( N2 )
A fonte de azoto é o ar e, a partir do processo
de Haber o azoto é retirado directamente deste.

Segundo o Processo Industrial o azoto obtêm-se por destilação fraccionada do ar liquefeito. O gás mais volátil é o primeiro a ser separado, neste caso – o azoto, como resíduo sobra um líquido essencialmente constituído por oxigénio e gases nobres.

Hidrogénio ( H2 )
A fonte de hidrogénio é a água, esta é obtida a partir da reacção entre o gás natural ou um hidrocarboneto com vapor de água.

Esta reacção dá-se em duas etapas:
CH4 (g) + H2O (g) → CO (g) + 3H2 (g)
CO (g) + H2O (g) → CO2 (g) + H2 (g)



Este processo não é considerado sustentável devido ao facto de emitir dióxido de carbono para atmosfera, o que certamente contribui para o efeito de estufa.
Outra desvantagem é o facto de utilizar fontes de energia não renováveis, que a qualquer momento podem acabar, e geralmente são prejudiciais para o ambiente.




A produção de hidrogénio a partir de fontes de energia renováveis é um passo bastante importante para a resolução de problemas energéticos e ambientais.
As matérias primas para a obtenção do amoníaco são o gás natural, a água e o ar. Como se pode verificar todos estes materiais são de origem natural, ou seja, provêm da natureza. Uns serão combustíveis fósseis e outros serão combustíveis renováveis.











Azoto


É um composto insípido, indolor e incolor que não reage ( em condições ambientais normais ) com a grande maioria dos reagentes. Faz parte do 5º grupo da Tabela Periódica dos Elementos e o seu símbolo químico é o N. Apesar de o azoto ser o maior constituinte da atmosfera (78% de N2 e 20,9% de O2 e compostos vestigiais tais como: Ar, CO2, H2O, Ne) o seu fornecimento às plantas apresenta algumas dificuldades.
Poucos organismos são capazes de utilizar o azoto molecular pois as suas moléculas são muito estáveis – os átomos de azoto estão ligados por uma ligação tripla muito forte com uma energia de ligação muito elevada.
Assim, são muito difíceis de separar.
Como o azoto molecular não é directamente utilizável pelas plantas, é necessário convertê-lo numa forma biologicamente utilizável:
-Iões (NOзˉ)
-Amoníaco (NHз)

As plantas apresentam alguma dificuldade no seu processo de absorção de azoto, por isso não são capazes de o utilizar sob a sua forma molecular. Aliás são muito poucos os organismos que possuem essa capacidade.
Assim sendo, o azoto molecular é então decomposto em iões nitrato e em amoníaco para que possa ser utilizado a nível biológico. Este processo denomina-se fixação do azoto.

O processo de fixação do azoto ocorre por intermédio de reacções químicas, aquando da ocorrência de descargas eléctricas na atmosfera.

Também pode ocorrer por intermédio de bactérias presentes nos solos e nas raízes de algumas plantas (exemplo: soja, luzerna e trevo). No entanto, para a maioria das plantas, o azoto útil provém de outras fontes que têm capacidade de fixar o azoto. Os agricultores enriquecem o solo com azoto sob a forma de nitrato de amónio, ureia ou amoníaco (fertilizante).






O ciclo do azoto é o ciclo biogeoquímico que comporta as diversas transformações que este elemento sofre no seu ciclo entre o reino mineral e os seres vivos. É processo pelo qual o azoto circula através das plantas e do solo pela acção de organismos vivos. O ciclo do azoto é um dos ciclos mais importantes nos ecossistemas terrestres. O azoto é usado pelos seres vivos para a produção de moléculas complexas necessárias ao seu desenvolvimento tais como aminoácidos, proteínas e ácidos nucleicos. O principal repositório de azoto é a atmosfera onde se encontra sob a forma de gás (N2). Outros repositórios consistem em matéria orgânica nos solos e oceanos. Apesar de extremamente abundante na atmosfera o azoto é frequentemente o nutriente limitante do crescimento das plantas. Isto acontece porque as plantas apenas conseguem usar o azoto sob duas formas sólidas: ião de amónio (NH₄+) e ião de nitrato (NO₃-), cuja existência não é tão abundante. Estes compostos são obtidos através de vários processos tais como a fixação e nitrificação.





A maioria das plantas obtém o azoto necessário ao seu crescimento através do nitrato, uma vez que o ião de amoníaco lhes é tóxico em grandes concentrações. Os animais recebem o azoto que necessitam através das plantas e de outra matéria orgânica, tal como outros animais (vivos ou mortos).
O ciclo de azoto pressupõe que os animais obtenham este elemento através da ingestão de proteínas, quer animais quer vegetais.
O crescimento das plantas requer um constante fornecimento de elementos essenciais à síntese do tecido vivo.
De entre esses elementos, os mais importantes são o carbono, o hidrogénio, o oxigénio e o azoto.




O dióxido de carbono da atmosfera
fornece, em parte, o carbono.
A água é o principal fornecedor de hidrogénio.
A água, o dióxido de carbono e o oxigénio da atmosfera fornecem o oxigénio.
Até ao séc. XX os compostos azotados conhecidos baseavam-se excrementos de aves marinhas (guano) e em nitrato de Sódio.
No ano de 1900 verificou-se o esgotamento da reserva de guano e tendo em conta o consumo de nitrato de Sódio, este acabaria por rapidamente esgotar também.
Os químicos pensaram em transformar o azoto (que se encontrava na atmosfera), em fertilizante agrícola. O azoto é um composto com baixa reactividade, o que torna a tarefa difícil.
O hidrogénio é um elemento químico representado pelo símbolo H. Com uma massa atómica de aproximadamente 1,0 u, o hidrogénio é o elemento menos denso. Este composto geralmente apresenta-se em sua forma molecular, formando o gás diatómico (H2) nas CNTP. Este gás é inflamável, incolor, inodoro, não-metálico, insípido e insolúvel em água. O elemento hidrogénio, por possuir propriedades distintas, não se enquadra claramente em nenhum grupo da tabela periódica, sendo muitas vezes colocado no grupo 1 (ou família 1A) por possuir apenas 1 protão. O Hidrogénio é o mais abundante dos elementos químicos, constituindo aproximadamente 75% da massa elementar do Universo.
Os maiores mercados do mundo fazem uso do hidrogénio para o aprimoramento de combustíveis fósseis (no processo de hidrocraqueamento) e na produção de amoníaco (maior parte para o mercado de fertilizantes).
O hidrogénio também pode ser obtido por meio da electrólise da água, porém, este processo é actualmente dispendioso, o que privilegia sua produção a partir do gás natural
A utilização do amoníaco
O amoníaco é um composto químico muito utilizado pelas indústrias, com diferentes aplicações, tais como:
Indústria química – síntese de ureia, fertilizantes, produção de ácido nítrico;
Indústrias do frio, do papel e alimentar – fluído refrigerante;
Indústria metalúrgica – atmosferas de tratamento térmico;
Indústria têxtil – dissolvente;
Indústria petroquímica – neutralização do petróleo bruto, síntese de catalisadores.
Indústria electrónica – Tratamentos superficiais.
Indústria agro-pecuária – Fertilização de terras, tratamento da palha.
Indústria da borracha – Eliminação da coagulação do látex.
O Amoníaco é uma substância muito útil nos processos de refrigeração devido ao seu elevado calor de vaporização e de temperatura crítica, sendo assim muito utilizado em circuitos frigoríficos à mais de um século, em máquinas de compreensão mecânica de potência média e grande e em máquinas frigoríficas de pequenas potências, como por exemplo, refrigeradores e frigoríficos domésticos.
Como fluído usado na refrigeração, o amoníaco apresenta numerosas características e vantagens, tais como:
1. Possui boas propriedades termodinâmicas, de transferência de massa e de calor;
2. É quimicamente neutro para os elementos frigoríficos;
3. É insensível na presença de ar húmido ou de água é facilmente detectável em caso de fuga por ser muito leve, e desta forma, é muito difícil ter uma falha no circuito
4. O amoníaco é fabricado para muitos usos, o que permite a manutenção do seu preço baixo e acessível;
5. O óleo lubrificante não se mistura como o amoníaco;
Estas características fazem com que o amoníaco entre num mercado muito competitivo em termos de empresas, fábricas e máquinas de refrigeração.
Para além do amoníaco ser utilizado em indústrias e em processos de refrigeração também é utilizado como fertilizante na agricultura e sendo também componente em produtos de limpeza.
O amoníaco está presente nos solos como resultado de decomposição da matéria orgânica. Como se liberta para o ar, também é um dos componentes da atmosfera terrestre sendo ainda amplamente produzido à escala industrial.
A importância do amoníaco deve-se ao facto de ser uma substancia inorgânica que é utilizada para:
-fabrico de fertilizantes
- produção de explosivos
- arrefecimento na industria alimentar
- produtos de limpeza
- entre outros.
Quando este é puro tem várias aplicações como por exemplo fertilizantes (aplicado directamente no solo) ou neutralizante no tratamento de águas residuais.
Quando é utilizado em misturas serve como produto de limpeza (detergentes amoniacais, soluções de limpeza para as industrias) ou fluidos refrigerantes (em sistemas de refrigeração para as industrias alimentares).
Mas a sua principal utilização é como matéria prima na preparação de novas substâncias, sendo utilizado como fertilizantes (nitrato de amónio, sulfato de amónio, etc.), fibras e plásticos (nylon, poliuterano, resinas, etc.), ou ainda como ácido nítrico (usado no tratamento de metais, fabrico de tintas, corantes e explosivos.
O uso do amoníaco como fertilizante prende-se com a importância do elemento azoto para a vida vegetal. O crescimento das plantas é determinado por uma variedade de elementos químicos.
Os elementos azoto, fósforo e potássio são dos mais importantes para a nutrição das plantas e também são dos primeiros que se esgotam com a exploração agrícola dos solos, portanto os adubos azotados são fabricados a partir do amoníaco contendo estes três elementos.



O amoníaco e o Homem

O amoníaco é utilizado em circuitos frigoríficos há mais de um século, em máquinas de compressão mecânica de potências médias e grandes e em máquinas frigoríficas de pequenas potências e a grande potência.
O amoníaco é uma substância produzida em grandes quantidades por sociedades químicas. Fica queimado quando a condensação do ar atinge valores entre 16 e 25% e é inflamável quando atinge a temperatura de 651°C.
Estes dois valores mostram que o seu risco de inflamação é muito limitado. São estas características que fazem do amoníaco uma substância muito útil na área da refrigeração.
A título de curiosidade pode-se também referir que o amoníaco está também presente nos sistemas de refrigeração e controle térmico nas estações espaciais.




O amoníaco, a saúde e o ambiente


O amoníaco e a saúde


Apesar das inúmeras vantagens do amoníaco na nossa vida, a este também se associam desvantagens. Pode mesmo tornar-se um sério risco quando o seu manuseamento / utilização são indevidos. Pode ser a causa de riscos na saúde humana (mencionados de seguida).
Ingestão: Quando ingerido o amoníaco causa vómitos, náuseas, e danos ao longo do aparelho digestivo.
Inalação: Os vapores deste elemento são bastante irritantes e corrosivos.
A nível cutâneo: Pode causar queimaduras, quer ligeiras, quer graves ( 1º, 2º e 3º graus respectivamente).
A nível ocular: Pode causar danos permanentes, mesmo quando se trata de uma pequena quantidade de substância.




O amoníaco que é libertado para a atmosfera, pode originar sulfato de amoníaco e nitrato de amoníaco, aos quais se dá o nome de matérias particuladas, que são partículas de características sólidas ou líquidas, que se encontram dispersas pela atmosfera.
A maioria das partículas, que têm um diâmetro superior a 5mm, normalmente depositam-se no nariz, na traqueia e nos brônquios, mas quanto mais pequena for a dimensão destas partículas mais perigosas as mesmas se tornam (depositam-se em zonas de maior risco).
As matérias das partículas causam problemas relacionados com cancro
pulmonar, graves problemas respiratórios e podem, inclusive, provocar morte prematura.




O amoníaco e o ambiente


A solução aquosa do amoníaco é uma base e por esse mesmo motivo quando existe a presença deste mesmo composto num determinado sistema ecológico podem ocorrer modificações do pH desses mesmos sistemas.
Da decomposição do amoníaco, vão originar-se óxidos de azoto, um dos agentes mais poluentes da atmosfera.
São estes óxidos de azoto que provocam a precipitação de chuvas ácidas.
Na produção de amoníaco, do processo de obtenção de matérias-primas para o fabrico deste, ocorre a produção de dióxido de carbono como um subproduto, que ao ser lançado para a atmosfera vai ser um dos contribuintes para o fenómeno do efeito de estufa.
O amoníaco é facilmente biodegradável. As plantas o absorvem com muita facilidade, sendo um nutriente muito importante como fornecedor de azoto para a produção de compostos orgânicos azotados.
Em concentrações muito altas, por exemplo, na água de consumo, pode causar danos graves, já que o amoníaco interfere no transporte do oxigénio pela hemoglobina, entre outros efeitos nefastos. Os organismos necessitam, nesse caso, de manter uma baixa concentração de amoníaco que, caso contrário torna-se particularmente tóxico.
O amoníaco pode ser fatal.
As suas soluções comerciais são geralmente concentradas, libertando NH3 (g), sendo necessário ter muito cuidado com o seu manuseamento, pois produz queimaduras graves na pele e ataca os pulmões quando inalado.Nunca se deve cheirar um frasco com amoníaco. A partir de uma concentração na atmosfera de cerca de 5 ppm, já se nota a sua presença, a partir de 35 ppm a atmosfera já é sufocante e quando atinge cerca de 500 ppm é altamente perigosa. Na troposfera pode reagir com os componentes nela existentes, originando sais de amónio sólidos em suspensão; por oxidação atmosférica origina óxidos de azoto, todos eles.




O amoníaco liquefeito é inflamável, tóxico e corrosivo e as suas misturas com o ar podem ser explosivas.





O amoníaco libertado para a atmosfera reage com alguns componentes atmosféricos formando:

Matéria particulada:
- Nitrato de Amónio
- Sulfato de Amónio
Óxidos:
- Monóxido de Azoto
- Dióxido de Azoto
- Óxido de Diazoto
- Trióxido de Azoto
- Sulfato de Amónio

As partículas resultantes da interacção do amoníaco com os componentes atmosféricos podem provocar impactos ambientais como:
Acidificação dos solos: formação de ácido nítrico devido à deposição de amoníaco e compostos de amónio
Eutrofização: crescimento anormal da flora aquática provocado pelo excesso de nutrientes
Efeito de Estufa: formação de nevoeiro fotoquímico onde se incluem compostos de amónio, o que diminui a visibilidade, quer através de nuvens ou da diminuição da camada de ozono

Amoníaco e os compostos de amoníaco:

O amoníaco e os compostos de amoníaco existem em diferentes materiais de uso comum. A sua identificação pode ser feita através da:
-Reacção com o cloreto de hidrogénio em fase gasosa, que produz cloreto de amónio em fase sólida:
NH3 (g) + HCl (g) à NH4Cl
-Utilização de papel vermelho de tornesol humedecido com água e verificação da alteração da cor, de modo a identificar o carácter alcalino do amoníaco
-Reacção de compostos, em solução aquosa, com o reagente de Nessler, que origina a formação de um composto de cor amarela
-Formação de um precipitado gelatinoso azul claro e de uma solução de cor azul intenso, devido à reacção continuada do composto com sulfato de cobre diluído:
Cu 2+ (aq) + 2HO- (aq) à Cu(HO)2 (s)
Cu(HO)2 (s) + 4NH3 (aq) à [Cu(NH3)4]2+ (aq) + 2HO- (aq)

Actividades complementares:


- Será o hidrogénio uma fonte de energia do futuro?
- Quais são as industrias portuguesas que utilizam o amoníaco como matéria-prima?
- Que regras de segurança devem ser seguidas no transporte de matérias-primas, nomeadamente o transporte de amoníaco?
- Como se deve actuar em caso de acidente, quer no que respeita ao transporte de amoníaco quer no que respeita ao seu processo industrial de fabrico?


Será o hidrogénio uma fonte de energia do futuro?

O hidrogénio é o elemento mais abundante no universo (75%) e também o terceiro elemento mais presente na Terra, sendo incolor, inodoro e o mais leve da tabela periódica.
Este elemento tem excelentes propriedades tanto como combustível quanto como transmissor de energia. Pode ser obtido por múltiplas maneiras: por electrólise da água; por reforma de álcool e hidrocarbonetos, sendo todas elas bastante eficazes. Assim, é considerado como o ‘’combustível ideal’’.
Quando combinado com uma célula de combustível, o hidrogénio oferece uma produção de electricidade silenciosa e de alta eficácia.
O Hidrogénio, quando produzido por fontes de energia renováveis, a sua utilização através de células de combustível, é totalmente limpa, formando apenas como produtos da reacção água e calor, não havendo quaisquer emissões de partículas, monóxido de carbono, dióxido de carbono, óxidos de azoto e óxidos de enxofre, que são responsáveis por problemas ambientais tais como chuvas ácidas, problemas respiratórios e pelo aquecimento global do planeta.
Sendo assim, o hidrogénio tem um grande potencial ambiental, fazendo parte de um ciclo de vida limpo, tornando-se um dos maiores candidatos a substituir a actual economia baseada nos combustíveis fosseis.
Para que isto seja possível terá que se criar as seguintes infra-estruturas:
- Produção de Hidrogénio;
- Armazenamento / transporte / distribuição do Hidrogénio;
-Utilização final do Hidrogénio.
Os principais sistemas de armazenagem de hidrogénio são:
- Reservatórios de gás comprimido
- Reservatórios para hidrogénio líquido
- Hidretos metálicos (alta e baixa temperatura)
- Absorção de gás em sólidos
-Micro-esferas
Vantagens do hidrogénio
- Veículos movidos a hidrogénio não terão motor a combustão. Os motores vão acabar por ser eléctricos, o conduzirá a que se evite a poluição no meio ambiente.
- O processo de geração de energia é descentralizado, ou seja, não será necessário construir hidroeléctricas gigantescas. O hidrogénio pode ser produzido a partir de várias fontes: água, combustíveis fósseis e biomassa. Essa produção pode ainda ser feita com o aproveitamento da energia solar ou eólica.
- Fonte renovável, inesgotável e não poluente.
-A geração de energia por meio de pilhas a combustível é pelo menos duas vezes mais eficaz do que a obtida pelos processos tradicionais.

Quais são as industrias portuguesas que utilizam o amoníaco como matéria-prima?

O Amoníaco é uma substância muito útil nos processos de refrigeração devido ao seu elevado calor de vaporização e de temperatura crítica, sendo assim muito utilizado em circuitos frigoríficos à mais de um século, em máquinas de compreensão mecânica de potência média e grande e em máquinas frigoríficas de pequenas potências, como por exemplo, refrigeradores e frigoríficos domésticos.
Este processo de vaporização do amoníaco absorve muita energia, e por isso é bastante útil pelo arrefecimento das estruturas envolventes.
É um composto químico muito utilizado pelas indústrias, com diferentes aplicações, tais como:
Indústria química – síntese de ureia, fertilizantes, produção de ácido nítrico;
Indústrias do frio, do papel e alimentar – fluído refrigerante;
Industria metalúrgica – atmosferas de tratamento térmico;
Indústria têxtil – dissolvente;
Industria petroquímica – neutralização do petróleo bruto, síntese de catalisadores.

Algumas industrias portuguesas utilizam o amoníaco como matéria-prima, entre elas:
• AP – Amoníaco de Portugal, este é um exemplo de uma fábrica que se dedica à produção de amoníaco e ureia.
• Solvay – Este grupo possui três sectores: o químico, o farmacêutico e o plástico.
Os seus principais produtos são os Produtos Sódicos (carbonato de sódio, bicarbonato de sódio, silicato de sódio e cloreto de sódio), os Produtos Clorados (soda cáustica, ácido clorídrico, hipoclorito de sódio, clorato de sódio e hidrogénio) e ainda os Produtos Péroxidados (peróxido de hidrogénio).
• CUF – Adubos de Portugal.
As instalações da CUF inclui três unidades: a de produção de ácido nítrico, a de nitrato de amónio e a de produção de adubos sólidos e líquidos.
• Egiquímica
Esta fábrica produz de produtos de limpeza, manutenção de automóveis, lavandarias e construção civil, a partir do amoníaco e de muitas outras matérias-primas.

Que regras de segurança devem ser seguidas no transporte de matérias-primas, nomeadamente o transporte de amoníaco?

Medidas de Primeiros Socorros:
- Inalação: Primeiro devemos retirar a vítima da área contaminada utilizando o equipamento de respiração autónoma, de seguida devemos manter a vítima quente e em repouso, só depois é que chamamos o médico e/ou aplicamos a respiração artificial se a vítima parar de respirar
-Contacto com a pele e com os olhos: Devemos lavar imediatamente os olhos abundantemente com água durante, pelo menos, 15 minutos. De seguida retirar as roupas contaminadas e molhar a zona contaminada com água pelo menos durante 15 minutos, se necessário obter assistência médica, devido às propriedades tóxicas corrosivas do amoníaco
-Ingestão: Não devemos induzir o vómito, pois pode tornar-se corrosivo. Em caso de ingestão, devemos dirigir-nos imediatamente a um médico, mostrando-lhe a etiqueta e a embalagem, se necessário devemos levar a vítima ao hospital

Medidas em caso de Fugas Acidentais:
- Precauções pessoais: É necessário evacuar a área para assegurar uma adequada ventilação de ar. Devemos utilizar equipamento de respiração autónoma de pressão positiva e roupa de protecção química
- Precauções ambientais: Devemos tentar eliminar a fuga ou derrama e tentar também reduzir o vapor com água em forma de névoa (pulverizada) ou tipo chuveiro fino
- Métodos de limpeza: É necessário ventilar a área e mantê-la evacuada e livre de fontes de ignição até que o líquido derramado se evapore totalmente (solo livre de gelo). Devemos também lavar a área contaminada com água

Como se deve actuar em caso de acidente, quer no que respeita ao transporte de amoníaco quer no que respeita ao seu processo industrial de fabrico?

O transporte deve ser evitado em veículos onde o espaço de carga não é separado do compartimento do condutor.
Deve-se assegurar também que o condutor do veículo conhece os perigos potenciais da carga e também as medidas a tomar em caso de acidente ou emergência.
Antes de transportar os recipientes, deve-se:
- Verificar se estão bem fixados;
- Comprovar que as válvulas das garrafas estão bem fechadas e não têm fugas;
- Comprovar que o tampão de saída da válvula, quando existente, está
correctamente instalado;
- Comprovar que o dispositivo de protecção da válvula, quando existente, está
correctamente instalado;
- Garantir ventilação adequada;
- Cumprir a legislação em vigor.

Bibliografia:

Sites:

Livros:
ARIEIRO, Maria Eliseu; CORRÊA, Carlos; PIRES BASTO, Fernando; ALMEIDA, Noémia: Física e Química A 11º ou 12º [ano 2], Porto Editora
SOARES DOS REIS, Ana Maria: Preparar para os Testes 11º Física e Química, Areal Editores
PAIVA, João; FERREIRA, António José: 11ºQ Física e Química A, Texto Editores
Enciclopédias:
-Grande Enciclopédia das Ciências – Química, Ediclube
- Grande Enciclopédia Interactiva – Química, Terenas Editores

Trabalho elaborado por:
-Bruna Ribeiro
-Gonçalo Cabral
- Mariana Queiroz
- Marina Ferreira